Muita gente tem medo de atender número desconhecido porque ouviu que "só de atender já roubam seus dados". Isso não acontece: uma chamada de voz não instala nada no aparelho e não dá acesso a aplicativo nenhum. Na nossa opinião, esse medo exagerado é até contraproducente, porque faz as pessoas relaxarem justamente na hora errada, quando a ligação parece legítima e o golpista já está falando. O perigo da ligação spam é conversacional, não técnico.

O que o golpista quer que você entregue

Quase todo golpe por telefone termina em um destes pedidos:

  • Dados pessoais: CPF, data de nascimento, nome da mãe. Sozinhos não abrem conta, mas servem para convencer atendentes de outras empresas e até para pedir a troca do seu chip na operadora.
  • Código de verificação por SMS: é o pedido mais perigoso. Com ele, o golpista registra o seu WhatsApp em outro aparelho ou entra em contas vinculadas ao seu número. Entenda por que no artigo sobre o código de verificação que você nunca deve compartilhar.
  • Senha, token ou Pix: a falsa central de segurança diz que sua conta foi invadida e "orienta" você a transferir para uma conta segura. O roteiro completo está no texto sobre o golpe do falso funcionário do banco.
  • O cartão físico: depois da ligação, um portador vai buscar o cartão "para perícia". É o golpe do motoboy, e nenhum banco trabalha assim.

O golpe do "sim": mito e realidade

Circula há anos o alerta de que gravar você dizendo "sim" permite contratar empréstimos em seu nome. Não há registro conhecido de banco brasileiro aprovando contrato só com uma palavra gravada. O risco real é outro e mais recente: gravar alguns segundos da sua voz para clonar com inteligência artificial e mandar áudios falsos para parentes pedindo dinheiro. Por isso, com número desconhecido, fale pouco até saber quem é. E se um familiar pedir Pix urgente por áudio, confirme por videochamada ou ligando para o número antigo.

Sinais de que a ligação passou de spam para golpe

Telemarketing insistente é chato, mas quer vender. Golpe tem três marcas: urgência ("sua conta será bloqueada em minutos"), autoridade (banco, INSS, polícia, Receita) e um pedido de ação imediata, como digitar algo, instalar aplicativo, confirmar código ou transferir. Se as três aparecem juntas, desligue. Não importa se o número na tela parece o do banco, porque ele pode ser falsificado.

A regra que resolve quase tudo

Quem liga para você não recebe dados; quem recebe dados é você, ligando para um número que você mesmo buscou. Desligue e ligue para o telefone do verso do cartão ou do aplicativo oficial. Antes de retornar qualquer número desconhecido, confira no catálogo de números se outras pessoas já o denunciaram. Essa inversão, você liga e não o contrário, derruba a maior parte dos golpes por telefone praticados no Brasil.