O modelo do Dono do Zap é o clássico "grátis para chamar a atenção, pago para entregar o que você queria". A primeira busca mostra um nome, e o restante fica atrás de um pagamento. Na nossa opinião, a questão mais importante nem é o preço: é que você está pagando a um operador que não se identifica claramente para acessar dados de uma pessoa que nunca autorizou isso.
O que é e o que ele promete
Apesar de muita gente chamar de aplicativo, o Dono do Zap funciona como um site acessado pelo navegador, sem cadastro. Você digita um número e ele devolve o nome associado àquela conta de WhatsApp e, quando disponível, a foto de perfil. O próprio site diz indexar informações públicas e fontes abertas, sem acesso a conversas. Circulam pelo menos dois endereços com o mesmo nome, o que por si só já exige cuidado para não cair em uma imitação.
O que é grátis e o que é pago
- Grátis: a busca inicial, que normalmente mostra só o nome ligado ao número.
- Pago: o chamado relatório completo, com foto e dados adicionais, liberado por Pix. O valor não é padronizado nas páginas públicas, então confira antes de pagar e guarde o comprovante.
Na prática, boa parte do que o relatório pago entrega é o que o próprio WhatsApp já mostra de graça quando você salva o número na agenda, como explicamos em como descobrir o dono do zap pelo número.
Quem está por trás do site
Esse é o ponto mais delicado. Em respostas publicadas no Reclame Aqui, a empresa ligada ao criador original do projeto afirma que o site foi desativado há tempos e que o domínio foi reativado por um grupo anônimo, sem nenhum vínculo com a equipe original. Na mesma plataforma há reclamações de pessoas pedindo a remoção dos próprios dados. Um serviço que cobra por Pix e não deixa claro quem responde por ele não oferece a quem pagou, nem a quem foi exposto, um canal confiável de reclamação.
Privacidade e LGPD
Serviços desse tipo montam suas bases coletando dados de pessoas que não pediram para estar lá. Muitos aplicativos identificadores de chamadas vão além e alimentam a base com a agenda de quem os instala: você entrega os nomes e números de todos os seus contatos em troca de descobrir um. A LGPD exige base legal para tratar dados pessoais e garante ao titular o direito de saber quem trata seus dados e de pedir a exclusão. Quando o operador é anônimo, esses direitos ficam no papel. Se o seu número aparece em um desses sites, você pode fazer uma denúncia à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). E vale lembrar os limites legais que explicamos em descobrir os dados de uma pessoa pelo número.
Alternativas mais seguras
Para saber se atende ou não uma ligação, você não precisa do nome do titular. O filtro de spam do Android e do iPhone já marca muitas chamadas suspeitas sem enviar sua agenda a terceiros. Para empresas, o site Qual Empresa Me Ligou, divulgado pela Anatel, mostra o CNPJ vinculado ao número. E para saber o que outras pessoas viveram com aquela linha, pesquise no nosso catálogo de números ou veja os números mais procurados do momento. De graça e sem expor ninguém.